O início da vazante no Pantanal Sul-Mato-Grossense

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Entre os meses de março e abril, o Pantanal Sul-Mato-Grossense inicia seu processo de vazante, marcando a transição entre o período chuvoso e a estação mais seca. Após meses de intensas precipitações, que ocorrem tradicionalmente entre novembro e fevereiro, os rios atingem seus níveis máximos, transbordando e formando extensas áreas alagadas. Com a diminuição gradual das chuvas, as águas começam a escoar de volta para os leitos principais, transformando novamente a paisagem do bioma.

Com a redução do nível da água, a fauna pantaneira se adapta a essa nova fase do ciclo hidrológico. Peixes ficam mais concentrados em lagoas e canais remanescentes, tornando-se presas fáceis para aves como tuiuiús, garças e biguás. Jacarés se agrupam em áreas úmidas, enquanto mamíferos como a onça-pintada encontram mais facilidade para caçar. Esse período também favorece a observação da vida selvagem, tornando-se uma época ideal para o ecoturismo na região, especialmente entre os meses de maio e setembro, quando o acesso às áreas antes alagadas se torna mais fácil.

Além dos impactos na fauna, a vazante influencia diretamente a rotina dos pantaneiros. Os campos mais secos facilitam o trânsito de boiadas e a realização de atividades agropecuárias, essenciais para a economia local. No entanto, a diminuição das águas pode resultar no isolamento temporário de determinados pontos do bioma. Ainda assim, essa é uma fase esperada e fundamental para o ciclo de renovação natural do Pantanal.

A vazante, assim como a cheia, é essencial para a manutenção do equilíbrio ecológico desse bioma único. O fluxo das águas garante a fertilização do solo, a dispersão de nutrientes e a sobrevivência de diversas espécies. Compreender e respeitar esse ciclo natural é fundamental para a conservação do Pantanal Sul-Mato-Grossense, um dos maiores e mais ricos ecossistemas do mundo.

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